A Devota – Ricardo Tomaz Alves

SINOPSE: “A Devota” conta uma história passada nos subúrbios e vila de Sintra, em locais secretos que desafiam a imaginação e que retratam a luta interior de uma jovem que terá de ultrapassar as difíceis fases da infância e adolescência enquanto enfrenta a luta interior de acreditar ou não no que lhe é dito e ensinado, enfrentando vários desafios à sua fé e psique.

OPINIÃO: “A Devota” é um livro pequeno, que levanta milhares de questões.
Muitos podem achá-lo exagerado, ou até mesmo desconexo com a realidade do quotidiano. No entanto, durante a minha leitura, dei-lhe uma visão hiperbólica de temas, que me fizeram pensar e, talvez, regressar ao passado.

A educação religiosa pode ser um impasse ao progresso da sociedade. Não quero com isto dizer que ser católico é sinónimo de regressão, porque, porventura, também eu o sou, mas quando falamos de catolicismo exacerbado, como colocar talas de cavalo numa criança e esperar que ela floresça com garra neste mundo, isso sim, é limitar o pensamento humano.

A personagem central deste livro, Sara, foi educada num seio religioso bastante opressivo. A ingenuidade de Sara perante a realidade do mundo foi quebrada aquando da morte do pai e, aí, surge um mistério em torno da integridade do progenitor.

Preocupada com o futuro dos filhos, a mãe decide integrar Sara num colégio de freiras. 
Devo dizer que conheço o funcionamento de alguns colégios católicos, liderados por freiras, e a realidade não foge assim tanto ao que Ricardo descreveu n’”A Devota”.
O controlo, os castigos e a disciplina, são a realidade que Sara passa a conhecer.

Contudo, as dúvidas de Sara começam a notar-se com o surgimento de Tomás. Este, um erudito dedicado ao pensamento, enamora-se pela protagonista e ajuda-a a sair do seu, tão confortável, casulo. Tomás questiona os dogmas e discute-os com Sara que, por sua vez, vê, lentamente, o seu mundo desmoronar.
Veja-se que Sara nunca conheceu outro mundo para além do da fé e, ao constatar as falhas lógicas, fica perdida dentro de si mesma.

Respeitei imenso o que Ricardo fez no final, a perda da identidade e a loucura subjacente a esses sentimentos, tão confusos.

A nível técnico, Ricardo, falha na exposição exaustiva de termos científicos e explicativos, em deterioramento das emoções das personagens. Alguns dos momentos precisavam de maior desenvolvimento e os avanços de tempo, por vezes, são desconcertantes.
Notei alguma crueldade que poderia ter sido tratada com um pouco mais de tato.

Em suma, com um pouco mais de trabalho e atenção aos pormenores, acredito que o Ricardo consiga elaborar romances únicos. Afinal, o cerne está lá, falta apenas limar as arestas.
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