Frankenstein – Mary Shelley

SINOPSE:
Victor Frankenstein, um jovem estudante em Ingolstadt, após quatro anos de trabalhos exaustivos em laboratório, consegue dar vida e criar um monstro a partir de corpos de seres humanos que obtinha em cemitérios e hospitais.

Eis o mito de um moderno Prometeu, aquele que deu vida ao homem através de um pedaço de argila, magistralmente recriado por Mary Shelley: ao dar vida a um monstro, este, mal abre os olhos, revolta-se com a sua triste condição e resolve vingar-se do seu criador, perseguindo-o até à morte.

OPINIÃO:
Quem pensar que vai entrar neste livro e ver uma história de terror, com imagens grotescas, medo e mistério, que se desengane. Frankenstein mostrou-se uma grande surpresa para mim, que via este clássico da forma como é representado na sétima arte, sem a consistência psicológica que o acarreta.
Dei por mim e mergulhar de cabeça, sem aviso prévio, numa história carregada de melancolismo, dor, sentimentos ao rubro e muita, muita culpa. 
O fatalismo para aqueles que tentam fazer as vezes de Deus, aquela agonia na alma que é o peso na consciência e aquele buraco que sentimos no peito que é o segredo que guardamos. Assim é o nosso Vitor Frankenstein depois de brincar de criador e se ver perseguido pelo castigo, pelas consequências do seu ato.
Que Frankenstein era tão humano, foi, sem dúvida, uma novidade para mim. Sempre o tinha categorizado como louco e lunático, mas enganei-me. O cientista é de fato um homem dotado de uma inteligência majestosa que, levado pelo orgulho e pela arrogância, descobre o segredo da vida. A sua juventude e sede de reconhecimento leva-o a pôr em prática o segredo da alquimia, e como tudo que imaginamos nunca é exatamente o que prevemos, o seu homem perfeito renasce na forma de um mosntro soberbo talhado de carne morta.
Os erros de Frankenstein não terminam aqui, vejamos, estamos numa sociedade de aparências e tudo aquilo que exteriormente é feio, o ser humano assume a sua fealdade interior. Frankenstein abandona a sua criação à sua própria sorte. 
O monstro no início dos seus dias, não passa de uma criança, ingénua, ignorante, com fome de carinho e orientação.
São os tratamentos violentos a que é sujeito que o levam a cultivar dentro de si a vingança sobre quem o criou. 
Assim começa a caça do criado ao criador e rapidamente assistimos à inversão dos papéis.
Esta obra transmite fúria, dúvida, pena e angústia. O leitor vê-se encurralado na condição de ambas as personagens e tenta encontrar um culpado para tal desfecho, mas é dificil atribuir culpas onde há tanta dor.
Um clássico é um clássico e Frankenstein tem o mérito de se manter absolutamente atual ainda nos nossos dias.
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