Ups! Engoli uma estrela – Adoa Coelho

SINOPSE: “Uma jovem descobre um dos segredos maiores da humanidade: não estamos sozinhos! Mas… Será que tudo não passa de um sonho? De um conto infantil? Pode aquele ser, invisível e sábio, realmente existir? 

Desde o primeiro amor, ao bullying, aos medos e às inseguranças de crescer e ser, vamos percebendo que somos feitos de luz e sombra e que estes reptos podem ser ultrapassados. As aventuras de uma adolescente dão o mote para a descoberta do ser. Começando por uma abordagem terrena no primeiro dos livros, logo se vai elevando, tanto nos caminhos fantásticos da imaginação, como nos conceitos de autoajuda lecionados pelos grandes mestres da atualidade.”


OPINIÃO:  A capa é lindissima, o título é de uma originalidade tremenda e o conteúdo?
Ao início fiquei com a sensação de que era um livro dirigido exclusivamente para crianças, dada a simplicidade das palavras, a doçura das situações e a voz notoriamente mais velha e reflexiva do narrador em relação às atitudes da rapariga e de O. No entanto, quando confrontada com moralidades complexas de reflexão, apercebi-me que é necessário ter alguma maturidade para entender o que nos é descrito. Mais à frente, perto do final, a violência psicológica do vilão e a escuridão que o cerca leva o leitor a ter de refletir sobre variados temas que indiretamente este nos expõe e exclui o público demasiado infantil.
Uma particularidade que achei interessante foi a utilização da personagem tipo. Há imenso tempo que não lia um livro em que os protagonistas, simplesmente, não possuem nome. Remeto-nos aos grandes clássicos portugueses, nomeadamente a Saramago que tinha por hábito intitular as personagens com o género, espécie ou profissão.
O nome da “criatura” é fantástica. A autora utiliza o símbolo @ para se referir ao sexo, o que dá a idéia de estarmos perante um It(em inglês) ou um das(em alemão), isto é, uma criatura neutra. O nome del@ é O e quando come a estrela fica a ser O com um * no meio. Simplesmente fantástico!
Para terminar tenho de fazer referência a uma ligação que inconscientemente fui fazendo ao longo do livro, a forma como o “Ups! Engoli uma estrela” me fez lembrar o grande clássico “infantil”, “O Principezinho”. Isto, porque tem a linguagem inocente e reflexiva e o enredo leva-nos a desmistificar temas e a pensar solenemente sobre eles. Apesar de este livro ser absolutamente contemporâneo, há uma tentativa de salientar a hipocrisia das diferenças e a arrogância humana para o seu lado negativo.
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