Arcanum – Thomas Wheeler

SINOPSE: Estamos em 1919 e a Grande Guerra chegou ao fim. Mas nas sombras da civilização as mortes apenas acabam de começar. Nestes tempos perigosos em que a linha entre ordem e caos ameaça extinguir-se, um grupo de visionários jura proteger a humanidade. São conhecidos como Arcanum. Quando Konstantin Duvall, o fundador do Clube, morre de forma suspeita em Londres, cabe ao mais antigo membro, o famoso escritor Sir Arthur Conan Doyle, investigar o caso. Pois da biblioteca secreta do morto desepareceu o artefacto mais poderoso do mundo: o Livro de Enoque. Este é um crime que ameaça ser muito mais do que uma guerra entre seitas ou nações, mas sim a derradeira batalha entre o Céu e o Inferno. Este é um “thriller” brilhante e original sobre o religioso e o sobrenatural. Repleto de drama, “suspense” e algumas das personagens mais marcantes da história, como o mágico Houdini, o estranho escritor H. P. Lovercraft e o engenhoso Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes.
  
OPINIÃO: Wheller fez um trabalho maginífico nesta obra. Com um elevado sentido de intertextualidade, juntou conhecimentos literários de dois génios da área literária e fundiu-os neste maravilhoso enredo que nos apresenta sob o nome de Arcanum. Poder-se-ia dizer que a história tinha sido concebida pelo próprio Conan Doyle(Sherlock Holmes) pela perícia na área do suspense e na maquinaria de engendrar mistério, como pelo mestre e senhor do terror H.P.Lovecraft pela dureza nas descrições sanguinárias e pela monstruosidade das criaturas envolvidas. No entanto, Thomas completa com a brilhante ideia de colocar estes mesmos autores como as personagens principais.
Conan Doyle é descrito como o próprio personagem que o deixou famoso, Sherlock Holmes. Com um elevado sentido de perspecácia, Doyle é o cérebro da organização e esboça os planos audiciosos para enfrentar as forças tenebrosas que irradiam dos cultos satânicos de Darian De Marcus. 
Lovecraft, por sua vez, é uma personagem cinzenta com uma aura perturbada. O demonologista entra constantemente em estados meditativos e apesar da imprevisibilidade ser atribuída a outra personagem, ele não foge ao adjectivo. É inconstante e moribundo, dotado de uma inteligência(diferente da de Doyle) que mostra ser preciosa para a sobrevivência do grupo.
Uma terceira entidade masculina que pertence ao chamado “Arcanum” é nada mais nada menos do que O Grande Houdini. Confesso que fiquei entusiasmada com esta personagem porque sempre fui uma grande admiradora do ilusionista. Adorei a personalidade que Thomas lhe atribuiu, carregada de uma auto-estima exacerbada e um sarcasmo cómico. Os métodos escapistas do mágico são explorados na obra e isso fez crescer o meu interesse.
Por fim, no que toca ao enredo, resta-me falar do(s) vilão(ões) que são, a meu ver, um ingrediente essencial para qualquer história. Aqui não desiludiu. Torci o nariz enojada, palpitou-me o coração impressionada e o factor repulsa foi activado no meu cérebro em relação ao comportamento de Darian. Bem construído e a conseguir despertar os sentimentos desejados no leitor. Cruel, louco, sanguinário, provido de malícia e falta de escrúpulos.

A escrita é acessível e elaborada. Tem uma vertente que me agrada bastante que é as comparações um tanto metafóricas e poéticas. Gostei e recomendo.
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